A verdade é que, no começo, o Germano era só um fã no Instagram. Daqueles que seguem, acompanham tudo, assistem aos stories e observam discretamente… Mas sem muita coragem de interagir. Um stalker educado, talvez. Até o dia em que resolveu usar seus talentos argumentativos e galanteadores para puxar assunto com a Thamara. E foi exatamente aí que começou o problema.
O que era para ser só uma conversa qualquer rapidamente virou horas de troca sobre vida, trabalho, planos futuros, a possibilidade de morar até em São Paulo (pasmem!). Em poucas horas, eles já conversavam como duas pessoas que se conheciam há muito mais tempo do que realmente conheciam.
Mas o verdadeiro teste veio depois. No meio das mensagens surgiu a pergunta mais perigosa possível: “Você votou em quem nas eleições passadas?” E naquele instante os dois tiveram certeza de que aquilo não tinha a menor chance de dar certo.
Ou talvez tenham percebido exatamente o contrário.
Os dois gostavam de política, de discutir ideias, de provocar pensamento e de conversas profundas. Germano, muito empenhado em garantir um primeiro encontro, iniciou praticamente uma defesa prévia improvisada para convencer Thamara de que valia a pena sair com ele apesar das aparentes incompatibilidades. E funcionou.
O convite foi aceito. E, de repente, eles estavam sentados em um restaurante japonês — obviamente — com espumante na mesa, fila de espera (o que quase fez Thamara ir embora porque ela odeia esperar) e um Germano absurdamente tímido, tentando parecer confortável enquanto performava perfeitamente o papel de “coxinha educado”.
Thamara julgou um pouco, claro. Mas também percebeu rápido demais que existia ali uma gentileza rara. Ele era educado, tranquilo, respeitoso e conversava de igual para igual sem tentar competir com ela. O jantar terminou, Germano foi levá-la até o carro e, entre a despedida e aquele instante silencioso antes de ir embora, aconteceu o primeiro beijo.
E foi nesse mesmo primeiro encontro que Germano soltou, sem cerimônia nenhuma, que ainda iria casar com ela, que ela era a mulher da vida dele e a futura mãe do filho deles. Thamara achou exagerado — talvez um pouco surtado — mas, honestamente, também achou bonito. Só não perdeu a oportunidade de avisar que nem sabia se queria ter filhos (era mentira).
O problema é que, depois disso, a insistência do Germano encontrou perfeitamente a absoluta falta de limites da Thamara. E o que era para ser só um primeiro encontro virou praticamente um final de semana inteiro de casal. Tudo foi acontecendo rápido. Naturalmente rápido. Mesmo morando entre Rio e Teresópolis, eles praticamente não se desgrudavam. Dividiam a maior parte da semana entre as duas casas, as rotinas, os finais de semana e a vida — embora ainda sem nomes oficiais para aquilo tudo.
Foi nesse período que aconteceu o primeiro “eu te amo”, mas também foi quando chegaram os conflitos da vida adulta, o cansaço e as bagunças emocionais que aparecem quando a relação deixa de ser só paixão e começa a ganhar profundidade. Até que, em um momento impulsivo, eles discordaram e Germano terminou tudo. E a Thamara? Ficou sem entender absolutamente nada.
O problema é que alguns dias depois — curiosamente também em um feriado de Corpus Christi — ele já estava profundamente arrependido. E ela… não queria mais saber dele. Ou pelo menos fingia muito bem que não queria. Durante dois meses, Germano insistiu, sofreu, sentiu falta dela e tentou voltar. E Thamara resistiu o máximo que conseguiu.
Até o dia em que finalmente aceitou encontrar com ele “só para colocar um ponto final na história” — e também para pegar uma meia que ele tinha deixado na casa dela (ótima desculpa). E foi aí que tudo começou de novo. Porque eles voltaram para outro restaurante japonês, ela repetia o tempo inteiro que não queria mais nada e ele estava determinado, pacientemente, a conquistá-la outra vez.
No fim da noite, pagaram a conta e seguiram para o carro. E então Germano abraçou a Thamara. Aquele abraço estragou completamente os planos dela de ir embora para sempre. Porque ali estava de novo aquela sensação: familiaridade, conexão, calma, conforto e vontade de ficar.
A partir daquele dia eles começaram, aos poucos, a voltar. E foram necessárias apenas algumas semanas até chegar o Dia do Psicólogo (27 de agosto). Germano chamou Thamara para comer japonês em casa, abriu um espumante, colocou música e, em algum momento da noite, os dois começaram a dançar na sala. Ao som de “Garota de Ipanema”, ele perguntou se ela queria namorar com ele. Ela disse sim. E naquela mesma noite os dois já estavam planejando a primeira viagem para Paris.
Três semanas depois, Thamara estava dividida sobre se mudar para o Rio por causa do doutorado. Germano não hesitou nem por um segundo: chamou ela para morar com ele. E, em menos de um mês de namoro, eles já estavam “casados” de certa forma.
Desde então, entre viagens, idas ao Maracanã, playlists divididas no carro, domingos preguiçosos, intensidade, calmaria, caos da vida adulta e temporadas muito diferentes da vida, eles foram construindo algo raro: o início de uma família. Daquelas em que existe amor, amizade, acolhimento, admiração e vontade genuína de continuar escolhendo um ao outro todos os dias — até ficarem velhinhos.
Hoje, olhando para trás, eles entendem que o casamento não é o começo dessa história. É só a continuação consciente de tudo aquilo que começou lá atrás… Quando um stalker silencioso do Instagram finalmente teve coragem de mandar mensagem. 🤍